Toto Wolff, chefe da Mercedes, voltou a defender que a Fórmula 1 mantenha distância do Balance of Performance (BoP).
Para o dirigente austríaco, esse sistema cria problemas políticos e por isso a principal categoria do automobilismo nunca deve adotá-lo.
Embora a FIA tenha criado um mecanismo para proteger os fabricantes de motores no regulamento de 2026, Wolff fez questão de diferenciar essa medida do BoP.
Segundo ele, a categoria pode aceitar pequenos ajustes técnicos. No entanto, qualquer sistema que iguale artificialmente a performance representa um erro.
Há anos, categorias de endurance utilizam o Balance of Performance para equilibrar carros com projetos diferentes.
Um dos exemplos mais conhecidos surgiu na reta final da era LMP1, quando a Toyota passou a competir sob esse sistema depois que Porsche e Audi deixaram o Mundial de Endurance (WEC).
Ainda assim, o BoP sempre gerou controvérsias. Afinal, muitos fabricantes acreditam que o sistema penaliza quem desenvolve um projeto superior ao dos adversários.
Na F1, o BoP nunca integrou o regulamento. Mesmo assim, a FIA criou o ADUO para ajudar fabricantes de unidades de potência que enfrentem dificuldades durante a introdução das regras de 2026.
Anteriormente, Wolff já havia demonstrado preocupação com esse recurso. Na ocasião, o dirigente alertou que o mecanismo poderia permitir que fabricantes menos competitivos superassem aqueles que desenvolveram os melhores motores.
Apesar dessa preocupação, o austríaco destacou que o ADUO continua apenas como um mecanismo de proteção. Portanto, segundo ele, a solução permanece muito distante de um verdadeiro Balance of Performance.
Ao comentar o assunto, Wolff afirmou que o ADUO nasceu para impedir que a F1 repetisse o cenário de 2014, quando um fabricante de motores abriu enorme vantagem sobre os concorrentes.
“Foi um mecanismo de proteção, exatamente como havia sido planejado, para evitar a situação de 2014, quando um fabricante de motores possuía uma vantagem tão grande que dominava a quilometragem de testes e os resultados das corridas”.
O chefe da Mercedes reconheceu que sua equipe aproveitou aquela vantagem. Ainda assim, afirmou que a FIA quer impedir que novos fabricantes iniciem a próxima era técnica com uma desvantagem praticamente impossível de recuperar.
“Nós estávamos do lado vencedor naquela época. Porém, queríamos evitar que isso acontecesse novamente, principalmente com novos fabricantes como a Audi, além da Honda em parceria com a Aston Martin e naturalmente a Red Bull.”
Na sequência, Wolff reforçou sua posição sobre o tema. Segundo ele, qualquer discussão envolvendo o Balance of Performance desperta imediatamente uma reação negativa.
“Quando começamos a falar de BoP, eu tenho uma reação alérgica imediata. É algo do qual devemos permanecer muito distantes na F1”.
O austríaco afirmou que o sistema provoca disputas políticas constantes nas categorias que o utilizam. Como consequência, muitos fabricantes acabam perdendo o interesse em permanecer no esporte.
“É uma confusão política em todas as outras categorias. Faz fabricantes abandonarem o automobilismo. Eu acompanhei isso de muito perto na DTM, nas categorias GT e também em Le Mans”.
Por fim, Wolff reforçou que a F1 jamais deveria decidir o equilíbrio de performance por meio de negociações políticas.
Em vez disso, ele defendeu pequenos ajustes técnicos para reduzir diferenças excessivas entre as UPs sem interferir diretamente na competitividade dos fabricantes