Não há como imaginar o Brasil sendo eliminado numa fase anterior às oitavas da Copa do Mundo pelo Japão
MIAMI (EUA) – Que venham os japoneses, com sua bela educação, cortesia e disciplina. Mas, que me perdoem os samurais, o Brasil vai atropelar e vencer por 3 a 0. Aliás, adoro esse placar, e acertei no jogo contra a Escócia. Os japoneses evoluíram técnica e taticamente, ao ponto de ter 23 jogadores atuando na Europa. Marca muito bem, tem um bom goleiro e uma equipe muito bem treinada, mas, com toda a sinceridade, mesmo tendo Zico ensinado tudo para eles, não há como eu imaginar o Brasil sendo eliminado numa fase anterior às oitavas pelo Japão.
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Como país, o Japão é um show. Tive a oportunidade de desembarcar em Narita, Tóquio, por seis vezes, e de conhecer boa parte do país, principalmente na Copa de 2002. Uma cultura milenar, de muita disciplina e, acima de tudo, respeito. Não é normal ver um japonês falando alto, e eles nunca decidem nada sozinhos. Fazem uma reunião, um pergunta para o outro, até ter uma definição.
Antes da final da Copa de 2002, em Yokohama, fui aconselhado a sair de Tóquio de madrugada, por causa do trânsito diurno. Lá a gente não pode dirigir e contratei um motorista que chegou ao meu hotel às 2 da manha. O trajeto demoraria umas duas horas, e eu e minha mulher, Alexia, estávamos ansiosos para conhecer a cidade da grande final entre Brasil e Alemanha.
Chegamos ao nosso hotel às 4 da manhã, fomos à recepção e entregamos nossos passaportes. A gente estava cansado e queria dormir. De repente, vimos uns seis japoneses, da recepção, conversando entre eles, passando nossos passaportes de mão em mão. Naquela época, até mesmo nos hotéis, poucas pessoas falavam o inglês.
Como não falo japonês, fiquei à espera de uma solução. Entendi, então, que não achavam a nossa reserva. Depois de meia hora, sem definição, apelei e falei mais alto: eu quero a chave do meu quarto, pois precisamos dormir. Imediatamente, arrumaram um excelente quarto para nós, e tudo se resolveu. Mas, confesso, fiquei envergonhado por ter levantado a voz, o que é uma falta de educação tremenda.
Que povo amável, carinhoso, sério e observador. Nos metrôs, ônibus ou nas ruas, quando uma pessoa está gripada, em respeito aos demais, ela usa máscara. Vimos isso pelo mundo somente na pandemia, e hoje, no ocidente, quase ninguém mantém a prática.
Em Kashima, onde Zico jogou, ele é uma espécie de “Rei”. Sua estátua à porta do clube, Kashima Antlers, é ponto obrigatório para tirar uma foto. Zico contribuiu como jogador, técnico e dirigente para o crescimento do futebol naquele país. Até hoje, passa pelo menos uns quatro meses por lá, pois tem um cargo de diretor na Federação Japonesa. É um mito, um ídolo maior.
Os torcedores são respeitosos nos estádios e o grito de “Nipon” ecoa do começo ao fim dos jogos. Assim que o árbitro encerra as partidas, os japoneses pegam os sacos plásticos e colocam ali dentro todo o lixo das arquibancadas. Um gesto de educação, grandeza e respeito. Torço muito para que evoluam cada vez mais, porém, não nesta segunda-feira.
Quero ver o Brasil avançar às oitavas de final, com futebol bonito e convincente. Não se fiem no amistoso em que perdemos para eles por 3 a 2, recentemente. Quando é pra valer, o Brasil sempre ganha dos japoneses. É o que esperamos para o jogo eliminatório. Falta de sorte do Japão em ter que nos encarar. Lamento, queridos japoneses. A tradição, a nossa camisa e Neymar, Vini Júnior e cia vão falar mais alto. Sou mais Brasil.
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Neymar aquecia e o filho do meu amigo, Jorge Peixoto, começou a chorar, fazendo seu pai também chorar nas arquibancadas do Miami Stadium. Aquela imagem não é sobre perder ou ganhar, é sobre o amor, principalmente das crianças, com o ídolo maior, Neymar. Que ele se recupere totalmente, jogue o que sabe e ajude o Brasil a avançar de fase. As crianças do mundo merecem.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema