Comparar Messi e Pelé por "métrica" empobrece o debate porque o futebol "é o que a gente sente, não é o que a gente mede", disse Milly Lacombe no Fim de Papo, do Canal UOL.

É muito difícil a gente colocar em métrica o que sentimos. O futebol é o que sentimos, não é o que medimos. E estamos entrando nessa era de tudo é métrica, tudo é eficiência, tudo é performance, tudo é desempenho. E não acho que seja por aí. Eu vi o Pelé jogar no finalzinho, eu vi o Maradona jogar e eu estou vendo o Messi jogar. É difícil essa comparação. Ao mesmo tempo, estamos falando do que sentimos. E é coisa demais. Milly Lacombe

Milly argumentou que alguns times e momentos seguem relevantes mesmo quando o currículo de títulos parece "menor" no papel. Para ela, o valor simbólico e cultural de certas histórias não cabe em uma conta de desempenho.

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Não se mede o tamanho desse time, da democracia corintiana, para o futebol. É um time que ganhou paulistas. Então, se for assim, é um time que só ganhou paulistas. O time existe ainda no tempo e espaço. Ele ainda conta uma história a respeito de criatividade, de insurreição, de transgressão, do que é um conjunto. Milly Lacombe

No mesmo raciocínio, ela citou a Copa de 1986 como exemplo de um jogo que, na visão dela, ganhou um significado que vai além do placar - e que ajuda a explicar por que comparações diretas entre gerações viram um impasse.

O que o Maradona fez contra a Inglaterra, em 86, está inscrito no tempo. Ele deu a forra a uma guerra colonial. Em um jogo, ele obrigou o país colonizador a colocar armas no chão e a se render. É muita coisa. Milly Lacombe

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Ao trazer o debate para a Copa do Mundo de 2026, Milly disse que a Argentina de Messi também provoca sensações e leituras sobre estilo e identidade. Ela citou o contraste com outras seleções sul-americanas.

O que a Argentina nos fez sentir nesse jogo contra uma seleção fisicamente muito mais forte... A Argentina rendeu a Áustria. Ela está sozinha, infiltrada dentro desse futebol europeurizado, colonizado, dizendo que dá para fazer diferente. Talvez a Colômbia esteja seguindo esse caminho. O Brasil, certamente não. Milly Lacombe

Eu joguei contra o Maradona por sete anos. Ele no Napoli, eu no Torino, no Ascoli. Vi de perto e de dentro do campo o que o Maradona fez. São épocas diferentes. Os adversários que o Maradona pegou eram mais difíceis do que o Messi pega. O futebol italiano dos anos 80 e 90 era o futebol inglês de hoje em dia. Só que o Messi foi para a sexta Copa do Mundo, chegou a 18 gols. Tem possibilidade de ser bicampeão porque a Argentina está jogando, tem um futebol, tem personalidade coletiva e tem um cara que está decidindo. Casagrande

Não. Como jogador, não. O que o Messi faz com a perna esquerda é incrível. Mas o Pelé fazia com a perna esquerda e com a direita. O Pelé era mais forte fisicamente numa época que não tinha máquinas pra treinar, para fortalecer a musculatura. Ele já era forte por natureza. O Pelé subia muito melhor de cabeça e cabeceava muito melhor. Com a perna direita, era muito melhor do que o Messi, que é muito melhor que o Pelé com a perna esquerda. Pelé é o atleta do século, não é só o melhor jogador do futebol em todos os tempos. Foi mais atleta pela escolha mundial Casagrande

A torcida do lado de fora impressionou hoje. Ela não se autodenomina 'movimento azul e branco'. Ela faz as coisas organicamente, não porque alguém vai compor uma musiquinha nova e fazer, como andamos fazendo. O que acontece dentro e fora de campo é impressionante. O conjunto desse time me impressionou. Milly Lacombe

Parece que é tudo treinado para eles falarem desse jeito. É assustador. Os argentinos não falam assim do Messi. Parece também que o Neymar foi convocado para essa galera ficar calminha. É óbvio que o Neymar não está em alto nível nos treinos. Ele está há mais de 30 dias sem jogar. Ele não estava em alto nível quando ele estava jogando. Esse não é o Neymar em alto nível. Milly Lacombe

O time da Argentina joga com raça, com garra. Eles comemoram o gol com emoção da garra. Ninguém está ensaiando dancinha nem gestinho para comemorar gol. A espontaneidade da comemoração faz parte do foco do jogador no jogo. O gol sai e ele comemora do jeito que explode. Não é o gol sair e aí a mente vai buscar o que ensaiou no treino para fazer a dancinha na comemoração. Casagrande

O time mata e se mata por ele. É uma equipe que morde, corre demais pelo Messi. E ele caminha pelo campo, passeia, desfila e sabe sempre exatamente o que vai acontecer. Se é a hora que ele tem que acelerar, chegar na área, se apresentar, driblar ou continuar assistindo aos mortais jogando bola. Ele sabe exatamente o que tem que fazer o tempo todo. Julio Gomes

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