Viver o Santos, como o próprio hino diz, é um orgulho para poucos. Em um cenário cada vez mais marcado pela alta rotatividade do mercado, uma atleta dedicar praticamente toda a carreira a um único clube se tornou exceção. Ketlen Wiggers transformou essa exceção em identidade, virou uma torcedora em campo e a maior goleadora da história das Sereias da Vila.
Bicampeã da Libertadores, campeã brasileira e dona de uma história que atravessa diferentes gerações do futebol feminino, a atacante de 34 anos nunca escondeu que o Santos é mais do que o clube onde joga. É a casa onde cresceu, construiu uma família, viveu conquistas, superou momentos difíceis e, agora, retorna após a maternidade para escrever mais um capítulo.
Depois de meses dedicados ao nascimento do filho Lucca, Ketlen se prepara para voltar aos gramados convicta de que ainda há muito a conquistar. O objetivo é claro: ajudar o Santos a voltar a disputar títulos e fortalecer um legado que, para muitos torcedores, já a coloca entre as maiores ídolas da história do clube.
— Espero continuar minha história no Santos. Não sei até quando, mas é uma história muito bonita. Eu realmente vivo o Santos. Hoje, meu filho também está vivendo isso. Foram fases maravilhosas. Claro que não foram só de glórias, mas são momentos muito especiais — afirmou, em entrevista exclusiva ao Lance!.
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O retorno aos treinamentos aconteceu de forma gradual e Ketlen conta que os primeiros meses exigiram adaptação física e emocional, já que, pela primeira vez, a rotina deixou de ser exclusivamente dedicada ao futebol.
— O começo sempre é mais difícil. Meu corpo mudou totalmente, minha vida mudou totalmente. Agora não era só mais eu, tinha um bebezinho na minha rotina. Mas hoje estou muito mais adaptada, me sentindo bem física e mentalmente para voltar e ajudar o Santos.
A atacante evita criar expectativa apenas pela reestreia. O foco é recuperar plenamente a forma física antes de voltar às competições.
— Meu principal objetivo é voltar bem. Não quero voltar meia boca, quero voltar 100%. Estou trabalhando todos os dias para isso.
A maternidade também apresentou novos desafios logísticos. Ketlen ainda não utilizou a nova política da CBF que permite viagens com filhos para atletas lactantes, mas espera fazê-lo em breve.
— Ainda não dormi fora de casa sem o Lucca. Essa nova medida vai me ajudar bastante a estar mais tranquila para jogar.
Durante o período afastada, o Santos passou por mudanças importantes. Marcello Frigério, o Tchello, assumiu o comando técnico no lugar de Caio Couto, jovens atletas cresceram dentro do elenco e a equipe ganhou novas características.
— Quando eu saí já era uma equipe muito boa, mas hoje vejo um grupo ainda mais qualificado. O trabalho do Tchello tem sido muito bom e estou aproveitando para crescer também taticamente e tecnicamente.
Ela acredita que a pausa no calendário ajudou o treinador a implementar suas ideias, algo que não havia sido possível na sequência intensa de partidas.
— O Tchello entrou e praticamente só teve jogos. Agora conseguiu colocar o trabalho dele. O time evoluiu bastante e isso vai aparecer no segundo semestre.
Mesmo elogiando a evolução da equipe, Ketlen reconhece que os muitos empates do Santos nesta temporada impediram uma campanha melhor no Campeonato Brasileiro e no Paulista. Na avaliação da atacante, o principal problema esteve na eficiência ofensiva.
— Acho que pecamos muito nas finalizações, no terço final. É algo que estamos trabalhando bastante e espero poder ajudar justamente nisso, fazendo gols e contribuindo para que a equipe volte a vencer.
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Poucas atletas conhecem tão bem a história recente das Sereias da Vila quanto Ketlen. São títulos nacionais, continentais e uma identificação construída ao longo de quase duas décadas. Ainda assim, falar sobre idolatria continua sendo motivo de humildade.
— Talvez eu já esteja entrando nessa prateleira. Recebo muito carinho das meninas, da torcida e de todos no clube. Mas quero entrar ainda mais, conquistar mais títulos. Acho que é isso que realmente fica na história