Jogadora de futebol inspira crianças em escola após estudante dizer que meninas não jogam

O clima de Copa do Mundo contagia não apenas os grandes estádios, mas também o imaginário das crianças. Pensando nisso, uma escola em Aparecida de Goiânia decidiu promover uma conversa sobre igualdade de gênero no esporte após um estudante afirmar que meninas não jogam futebol. Para mostrar que elas podem, sim, ocupar esse espaço, a unidade convidou a jogadora Cibelly Morais, de 20 anos, atleta do Planalto Esporte Clube, que inspirou os estudantes.

Em entrevista ao g1, Cibelly contou que foi surpreendida durante o encontro por uma pergunta que a emocionou. Diante de um cartaz com fotos de sua trajetória no esporte, uma aluna quis saber: "Tia, mas meninas também jogam?".

A resposta veio de forma imediata. "Meninas também jogam! Expliquei que não é fácil, que exige objetivo e força de vontade, mas que é possível realizar esse sonho", afirmou.

Um vídeo divulgado pela escola mostra momentos da conversa com os estudantes. Em uma das perguntas, uma criança quis saber por que os jogadores gostam tanto de futebol. Cibelly reponde que o esporte vai além das quatro linhas e também representa inspiração para outras pessoas (veja o vídeo acima).

Outra criança perguntou quantos jogadores entram em campo. Acostumada com as regras do futebol, a atleta explicou que cada equipe atua com 11 jogadores, incluindo o goleiro.

Ao longo do encontro, os alunos também falaram sobre ídolos do esporte. Cibelly compartilhou experiências da carreira, apresentou troféus e medalhas e respondeu perguntas sobre a rotina de treinamentos e a profissão de atleta.

Jogadora Cibelly Morais, de 20 anos, visitou uma escola em Aparecida de Goiânia para falar sobre igualdade de gênero após um estudante dizer que meninas não jogam. — Foto: Divulgação/Cemadipe

Ao g1, a zagueira do Planalto compartilhou relatos sobre sua trajetória no futebol e destacou que o caminho de uma atleta feminina de periferia é marcado por desafios que vão muito além das partidas.

Segundo Cibelly, ela começou a jogar aos 8 anos e, pela falta de escolinhas femininas na época, treinava apenas com meninos e homens.

O apoio da família foi fundamental para que ela permanecesse focada nos objetivos e não desistisse diante das críticas.

Um dos momentos mais difíceis da carreira aconteceu quando Cibelly tinha 15 anos e morava em um alojamento em São Paulo. Longe da família, ela foi vítima de racismo durante uma partida.

Segundo a atleta, uma ligação para a mãe, ainda no vestiário, foi decisiva para que ela seguisse em frente.

Atleta relatou que superou preconceitos e dificuldades com apoio da família e hoje é um dos destaques no Planalto. — Foto: Divulgação/Planalto Futebol Clube

A motivação para continuar, segundo Cibelly, também vem de dentro de casa. O irmão dela, de 7 anos, é admirador da atleta e sonha seguir os mesmos passos no futebol.

Ao final da entrevista, a jogadora deixou uma mensagem para meninas que desejam seguir carreira no esporte.

Cibelly e o irmão de sete anos, que é seu maior fã. — Foto: Divulgação/Planalto Futebol Clube

Em entrevista ao g1, a professora Silvia Raqueliny destacou que a iniciativa teve impacto positivo ao demonstrar, na prática, que sonhos e oportunidades não devem ser limitados por preconceitos.

Segundo a professora, as crianças passaram a compreender com mais naturalidade que meninas também jogam futebol, podem gostar do esporte, praticá-lo e se destacar nele.

De acordo com a vice-diretora educacional da unidade, Grace Kelly, a atividade despertou grande interesse entre os estudantes e reforçou a importância de mostrar que o esporte deve ser acessível a todos, independentemente do gênero