A receita anual da indústria do futebol mundial se aproxima dos US$ 60 bilhões. O cálculo inclui diferentes fontes, da arrecadação com ingressos nos estádios aos patrocínios e direitos de transmissão dos jogos. A projeção é de que, até 2030, aquele número possa chegar aos US$ 80 bilhões anuais.
A Europa lidera com folga o mercado da bola, com uma fatia em torno de 40% desse amplo ecossistema de negócios. Isso acontece, principalmente, devido a força de suas cinco principais ligas nacionais: Premier League, na Inglaterra; La Liga, na Espanha; Bundesliga, na Alemanha; Ligue 1, na França; e Serie A, na Itália.
Segundo o Annual Review of Football Finance 2025, da consultoria global Deloitte, as “big five” estão chegando à marca dos 21 bilhões de euros em receitas, o equivalente a US$ 23,8 bilhões.
Individualmente o maior "money maker" em todo o mundo é o clube espanhol Real Madrid, cujas receitas registram 1,2 bilhão de euros, ou quase US$ 1,3 bilhão anuais.
A determinação da Fifa de que todas as partidas da Copa do Mundo devem ter um intervalo para hidratação aos 22 minutos de cada tempo de jogo divide opiniões entre jogadores, técnicos e especialistas do esporte.
E não caiu no gosto da maior parte dos torcedores. A medida tem sido frequentemente interpretada como uma nova e preciosa janela de três minutos para anunciantes, nos estádios e nas transmissões, tanto de TV como de streaming.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, tem repetido que a medida não gera qualquer vantagem para a entidade.
“A principal razão da pausa para hidratação é o calor”, diz ele. “Proporcionar uma pausa para descanso dos jogadores é extremamente importante.”
E acrescenta: "Não há receita adicional para a Fifa pois todos os acordos comerciais foram assinados com bastante antecedência. Então, isso não é uma questão financeira para nós. É puramente uma questão esportiva".
Pode até ser, mas o fato é que os negócios do futebol estão em plena expansão e não param de buscar alternativas para continuar crescendo.
A ampliação do número de 32 equipes, adotado na Copa do Mundo do Qatar em 2022, para as atuais 48 seleções consolida a globalização do esporte e potencializa as oportunidades de faturamento.
A Ffia estima que a Copa do Mundo de 2026 vai gerar para a entidade uma receita de pelo menos US$ 8,9 bilhões, embora esse valor seja considerado conservador pelo mercado.
Pouco menos de 10% daquela projeção, ou US$ 871 milhões, serão destinados a premiações e auxílios para as 48 seleções participantes. O campeão poderá embolsar até US$ 50 milhões.
O impacto econômico para os países anfitriões da competição, principalmente os Estados Unidos, é bastante relevante.
Segundo a OMC (Organização Mundial do Comércio), estão sendo gerados cerca de US$ 80 bilhões diretamente relacionados ao torneio na forma de viagens, hospedagens, consumo de material esportivo e entretenimento de forma geral.
A América do Sul, embora com tradicionais competidores de peso como o Brasil e Argentina (que juntos somam oito conquistas de Mundiais) tem uma participação limitada a cerca de 10% do faturamento do mercado bilionário do futebol.
Ao longo dos últimos anos, a região tem se caracterizado como importante fornecedora de talentos para clubes europeus. A maioria deles é de jovens que cruzam o Atlântico logo após se tornarem profissionais.
Ao mesmo tempo em que recruta na América do Sul, um contingente crescente de jovens jogadores, a Europa aposta alto na criação de talentos locais, muitas vezes nascidos em famílias de diferentes geografias que migraram para o continente.
Segundo levantamento da Universidade de Oxford, 24% dos nomes inscritos pelas 48 seleções da Copa do Mundo nasceram em países diferentes daqueles pelos quais jogam, graças à dupla cidadania ou descendência direta.
Oito dos times têm elencos compostos majoritariamente por jogadores nascidos fora do país que representam: Curaçao (25 dos seus 26 jogadores nasceram na Holanda, país que colonizou a ilha), Bósnia, Haiti, Argélia, Marrocos, Cabo Verde, Tunísia e República Democrática do Congo