O mundo mudou. O futebol mudou. Só não enxerga quem não quer ou quem não entende de bola

“Uai”, diz o nosso amigo, que faz uma série de colocações tentando conseguir apoio para a sua tese, mostrando sua incapacidade de analisar um time, e mesmo, um jogo.

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Mas vejamos as suas colocações. A seleção de Cabo Verde empatou com a Espanha na estreia por 0 a 0.

No Grupo C, o Brasil empatou com Marrocos também por 0 a 0. Além disso, a Escócia foi derrotada por Marrocos por 1 a 0. Uma equipe europeia sendo derrotada por uma africana. É demais. Quando é que isso aconteceu?

No Grupo D, na primeira rodada, a Austrália ganhou de 2 a 0 da Turquia. É verdade que o futebol turno não é lá essas coisas, mas o esporte europeu é superior ao da Oceania.

No E, a Costa do Marfim ganhou do Equador por 1 a 0. O futebol sul-americano é infinitamente superior ao da África. Depois disso, o Equador empatou em 0 a 0 com Curaçao, que nunca teve futebol. Nunca ouvi falar nesse país, a não ser como local de turismo. E, pra completar, nessa mesma chave, a Bélgica empatou por 0 a 0 com o Irã.

No F, a Holanda empatou com o Japão por 2 a 2. Tá tudo errado. O mundo parece que está de cabeça para baixo. E continuando a sequência de zebras, no Grupo G, a Bélgica empatou por 1 a 1 com o Egito, na primeira rodada.

No Grupo H, Cabo Verde empatou por 2 a 2 com o Uruguai, que é bicampeão mundial. Outra favorita da chave, a Bélgica empatou com o Egito.

Outro campeão mundial, a Espanha, empatou com o Irã (0 a 0), e por sua vez, e a Bélgica empatou duas vezes, com Egito (1 a 1) e também com a Espanha (0 a 0). A Espanha já foi campeã do mundo e empatou com Cabo Verde (2 a 2).

Portugal chegou como favorito. O time de Cristiano Ronaldo empatou por 1 a 1 com o Congo. A força do grupo é Gana, que ganhou por 1 a 0 do Panamá. A Chéquia, ex -Tchecoslováquia, empatou por 1 a 1 com a África do Sul.

Pode até parecer estranho, mas a realidade é bem outra. São dois os motivos. De um lado, a queda de nível de muitas seleções, em especial as sul-americanas – o Brasil foi quem mais regrediu,

Do outro lado, o crescimento das seleções que estão fora do eixo América do Sul/Europa. Hoje, as seleções da África e Ásia se aprimoraram, buscam aprender maneiras de jogar, esquemas táticos.

Vemos, por exemplo, o trança-trança da bola na linha defensiva nas saídas de bola, sem desespero para sair a bola e cometer erros infantis e entregar gols aos adversários, como acontecia antigamente.

Já as equipes europeias insistem no sistema defensivo e assim abrem espaços para sofrerem contra-ataques, no que africanos, árabes e japoneses se especializaram.

Já o Brasil comete erros grosseiros, como por exemplo, desconhecer que Marrocos é o atual campeão africano.

O treinador, o italiano Lancellotti, insiste em uma preocupação defensiva. É mais um a desconhecer a tradição de ataque da nossa seleção.

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Pois é. O mundo mudou. O futebol mudou. Só não enxerga quem não quer ou quem não entende de bola.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema