LOS ANGELES, 27 Jun (Reuters) - Evan Hand já tinha visto momentos esportivos que viralizaram antes, mas aquele que mudou a forma como ele entendia o alcance do futebol não veio de uma superestrela.

Veio de Vozinha, o goleiro de 40 anos de Cabo Verde, cuja atuação com sete defesas no empate sem gols contra a Espanha — grande favorita — o transformou, da noite ​para o dia, em uma sensação nas redes sociais.

Colômbia já se afirma como 2ª prateleira da Copa

Ninguém sabe se vídeo foi bom ou ruim para Michelle

“O grande momento para mim foi a história do Vozinha”, ​disse Hand, criador de conteúdo esportivo.

“Foi ver esse cara ganhar 15 milhões de seguidores praticamente da noite para o dia jogando por uma seleção que, se você fosse olhar no mapa, não saberia me dizer onde fica Cabo Verde agora".

“(O astro da NFL) Tom Brady tem menos seguidores do que esse cara, e ele teve, sem dúvida, a trajetória mais dominante da história do esporte. Então, esse foi um momento especial para mim.”

Para muitos fãs de ​esportes norte-americanos, esta Copa do Mundo causou um impacto semelhante.

À medida que ⁠torcedores de todo o mundo lotam os ​estádios, a audiência televisiva dispara e os torcedores norte-americanos lotam festivais de torcida e bares esportivos, o torneio serviu como um lembrete vívido de que ⁠o futebol não é um esporte de nicho tentando entrar no mainstream norte-americano. É o esporte dominante no mundo, ​e os Estados Unidos ainda estão tentando alcançar sua magnitude.

O torneio já está a caminho de bater o recorde de público. Nas primeiras 44 partidas, o público total ultrapassou 2,85 milhões, com os estádios operando em média a cerca de 99,6% da capacidade, de acordo com uma análise da Reuters baseada em dados da FIFA.

A transmissão da Fox ‌da vitória dos EUA sobre a Austrália atraiu 16,2 milhões de telespectadores, um número ‌que provavelmente será superado à medida ​que os norte-americanos avançarem para as fases eliminatórias.

“Acho que muitas pessoas que sempre acharam o esporte chato estão descobrindo que ele é emocionante”, disse Bob Dorfman, analista de marketing esportivo. “E isso está ajudando o futebol.”

O impacto do torneio nos Estados Unidos pode ser medido tanto pela emoção quanto pelos índices de audiência.

Dorfman disse que os torcedores norte-americanos estão entrando em contato não apenas com jogadores de elite, mas também com a ‌paixão dos torcedores que viajam para acompanhar a seleção e das comunidades de imigrantes, que tratam a Copa do Mundo mais como um feriado nacional do que como um evento esportivo.

“Nos Estados Unidos, há todos esses estrangeiros que estão chegando ou imigrantes que já estão aqui e estão simplesmente enlouquecidos com isso”, disse ele. “E acho que, até certo ponto, os cidadãos norte-americanos estão com um pouco de inveja dos torcedores escoceses e dos brasileiros".

Comece o dia bem informado sobre os fatos mais importantes do momento. De segunda a sexta

“Eu estava assistindo ao jogo do Brasil ontem e fiquei com um nó na garganta ao vê-los cantando o hino nacional. A emoção é enorme. A empolgação é enorme. Há grandes estrelas jogando que os norte-americanos finalmente estão podendo ver de perto.”

Hand disse que seus vídeos sobre a Copa do Mundo estão indo “muito melhor” do que seu conteúdo habitual, que normalmente se concentra em esportes como futebol norte-americano universitário e golfe.

“Não é que não soubéssemos que o futebol era grande”, disse ele.

“Acho que não sabíamos a verdadeira dimensão de quão grande o futebol realmente é. Todas as pessoas no resto do mundo, mesmo que sejam de alguma cidade qualquer no Brasil ou na ‌Sibéria, conhecem o futebol. E amam o futebol e morreriam por esse esporte.”