Lionel Messi confirma a expectativa de que será um dos donos da Copa; com 5 gols em 2 jogos, argentino consolida o status de semi-Deus do futebol
Messi perdeu um pênalti. A internet enlouqueceu. Foi o 3º que ele errou em Mundiais. Lionel é um dos recordistas em penalidades perdidas nas Copas. Como para compensar este “deslize”, o argentino marcou os 2 gols do jogo contra a Áustria e agora é o maior artilheiro em Copas do Mundo. A Argentina jogou menos no 2º jogo do que na estreia. Controlou as ações com calma, mas sem a mesma intensidade. A Áustria fez o que pôde para escapar de uma goleada-vexame. Conseguiu. Perder de 2 x 0 para a seleção de Messi não é nenhuma vergonha.
O início da partida em Dallas foi avassalador. Em pouco mais de 5 minutos, os argentinos tinham um pênalti a seu favor. O time sentiu quando Messi errou. Por pelo menos 30 minutos a seleção campeã em exercício parecia um time normal. Isso não quer dizer que os hermanos correram riscos. Não correram. O goleiro Dibu Martinez não trabalhou quase nada. Os argentinos renasceram na partida com uma jogada genial de Almada. O meio campista, que já atuou pelo Botafogo, carregou a bola da defesa até a entrada da área. Abriu à esquerda para Facundo Medina. Neste movimento, teve tempo de olhar onde estava Messi. Quando Medina cruzou a bola, Almada simplesmente abriu as pernas. Messi recebeu livre e pronto.
Dois detalhes voltaram a aparecer no jogo da Argentina. O primeiro é como o time inteiro atua para proteger e municiar Messi. O segundo é a união do time. Todos jogam por cada um. Cada um joga por todos. Fica claro, nas comemorações e mesmo no diálogo entre eles, durante o jogo, que a seleção argentina é um time poderoso, candidatíssimo ao título e repleto de talentos intensos.
A temporada das contas para a classificação está no auge. Todo mundo joga com a máquina de calcular no bolso para saber quantos pontos ou quantos gols serão precisos para garantir a passagem rumo ao mata-mata da Copa.
Messi segue sendo o nome do Mundial, por melhor que tenham jogado Harry Kane, Kylian Mbappé ou até Vinicius Jr. Fãs de Cristiano Ronaldo ainda esperam uma reação do seu ídolo e do time de Portugal. É justamente pela falta de um grupo de atletas que jogue por seu craque a principal dificuldade para o CR7. Já Messi, Kane e Mbappé atuam como regentes de orquestras muito intensas e mega competentes. Dá até uma certa pena daquelas equipes cujo destino na Copa passa por França, Argentina ou Inglaterra. Mesmo as equipes com ótimo conjunto, como Holanda, Japão e Alemanha, tendem a sentir falta de um super-herói na hora que o funil do título começar a se fechar.
Dá muita pena ficar escrevendo textos sobre as glórias de Messi, Kane Mbappé, França, Inglaterra ou Argentina com o time do Brasil tão longe do padrão que os favoritos impõem a todos os rivais.
Mario Andrada, 68 anos, é jornalista. Na Folha de S.Paulo, foi repórter, editor de Esportes e correspondente em Paris. No Jornal do Brasil, foi correspondente em Londres e Miami. Foi editor-executivo da Reuters para a América Latina, diretor de Comunicação para os mercados emergentes das Américas da Nike e diretor-executivo de Com. e Engajamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, Rio 2016. É sócio-fundador da Andrada.comms. Escreve para o Poder360 semanalmente às sextas-feiras.
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