Alex Medeiros
Jornalista
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Entre 16 de junho e 4 de julho de 1954, a Suíça sediou a quinta Taça do Mundo de Futebol, como se escrevia nas páginas dos jornais e revistas do eixo Rio-São Paulo. Curiosamente, entre a fase de classificação (fase de grupos) e a fase final do evento (fase eliminatória), os organizadores inventaram uma pausa de uma semana, para permitir aos turistas estrangeiros visitar o país.

A questão do turismo, em verdade, não era econômica, mas uma tentativa de angariar apoio político para o torneio junto a certas autoridades locais ou mesmo a setores da população, todos ainda um tanto alheios ao evento. Naquele tempo, não se pensava tanto na relação entre futebol e turismo, o que ficou evidente na baixa frequência de público europeu na Copa de 1950.

A seleção brasileira, ainda no trauma de quatro anos antes, dispensou quase todo o elenco do Maracanaço e levou apenas seis jogadores. Mesmo assim, o time chegou lá como um dos favoritos, ao lado de Uruguai, Hungria e Itália.

O selecionado húngaro metia medo com seus jogadores habilidosos e com preparo físico militar, pois todos deixaram seus clubes para serem treinados no território do exército. Naquele contexto Puskas virou “o major galopante”.

Além da preparação ousada, com apoio oficial da ditadura comunista que era liderada pelo Partido dos Trabalhadores (satélite soviético), a Hungria inovou fazendo aquecimento antes dos jogos, o que gerava gols em poucos minutos.

Aquelas artimanhas húngaras chamou a atenção do técnico da Alemanha, uma seleção que chegou na Suíça desacreditada, dado a situação político-econômica do país derrotado na Segunda Guerra. Ele armou uma arapuca.

No cruzamento dos dois times ainda no começo da copa, os alemães entraram com um time reserva, e o zagueiro Liebrich com a missão de parar Puskas. E ele parou, acertando uma porrada no tornozelo que deixou o major inativo.

A Hungria atropelou a Alemanha com um 8 x 3 inapelável, com a mesma facilidade dos 9 x 0 que tinha aplicado na Coreia do Sul. Mas os alemães saíram de campo com ar de quem cumpriu a missão estratégica do técnico.

Uma trapalhada nas regras de classificação, fundiu a cuca dos jogadores do Brasil durante o confronto da fase final com a própria Hungria. Quando o jogo estava 1 x 1 e perto do fim, os brasileiros partiram pra cima dos húngaros.

Na interpretação dos nossos jogadores, o empate nos mandava pra casa mais cedo. Já os húngaros, satisfeitos com o empate, não entendiam a agressividade verde-amarela, já que o resultado classificava os dois times.

E quando perceberam a desinformação dos brasileiros, tentavam avisar que não precisava tentar vencer, o placar era de ambos. Sem entender bulhufas do idioma magyar, partiam com a faca nos dentes, numa batalha quixotesca.

Diz a lenda (publicada) que nos minutos finais, tanto os brasileiros batiam quanto choravam. E os húngaros sem nada entender. Foi só pela imprensa, já fazendo as malas para voltar, que os jogadores souberam da classificação.

Aquela batalha de Berna só não ficaria mais famosa do que o milagre na partida final, quando húngaros e alemães disputaram a final num campo enlameado pela chuva torrencial. E o milagre teve um componente tecnológico.

Além da Alemanha contar com os titulares, devidamente orientados pelo técnico que estudou o jogo da Hungria, a Adidas inovou numa chuteira com pinos metálicos que davam enorme vantagem aos movimentos no charco.

A Hungria até tinha o craque Puskas de volta, mas com o tornozelo ainda dolorido. Então, a esperada repetição do título olímpico de 1952 afundou na chuva e na tática alemã que venceu por 3 x 2, alcançando o milagre de Berna.

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