Que beleza ver a Argentina em campo. Que time espetacuralmente coletivo. Quanta solidariedade, quando conjunto, quanto futebol. Messi, outra vez, definiu. Perdeu um pênalti, mas minutos depois colocou para dentro como que por música, numa deixada sublime de Almada, que abriu as pernas para que a bola passasse e se encontrasse com Messi de frente para o gol.
A Argentina tem tudo o que não temos: meio de campo, um craque solidário, conjunto que sabe atuar como sistema defensivo e como sistema ofensivo com a mesma força.
A Argentina não deu bola para a famosa tensão perde-pressiona da Austria, um time que tem mais força física do que habilidade. O time de Messi tocou a bola como quis e só perdeu o ritmo na sequência do pênalti perdido por Messi. O time sentiu e passou 15 minutos errando quase tudo. Mas se reencontrou e voltou a dominar territorialmente o jogo.
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Do lado de fora, a torcida, que não se chama movimento azul e branco, dava um show. Tudo parece verdadeiro, tudo parece sanguíneo, tudo parece adequado à cultura dessa nação-vizinha. Cabo Verde está escrevendo uma história comovente, mas acho que fica com a Argentina o posto de futebol mais bonito e corajoso. Um time que não tem medo de sair para o jogo, não foi construído a partir de um sistema defensivo e que respeita a cultura não apenas de seu povo mas também de todo um continente. No final, sem correr muitos riscos, Argentina venceu de forma impressionante pela postura adotada. Perdeu o ritmo no segundo tempo, mas não o controle emocional. Um time feroz na disputa, mas bastante tranquilo com a bola nos pés. Quem torce contra deveria estar assustado. No final, dois a zero. Dois gols de Messi.
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